Agregações de meros na Flórida

 

O mero (Epinephelus itajara) é um dos maiores peixes da família das garoupas, e um indivíduo adulto pode chegar a pesar mais de 350 kg. Seu habitat vai do norte da Florida, passando pelo Caribe e até o sul da costa brasileira. Do outro lado do Atlântico o mero também ocorre do Congo até o Senegal. A espécie esta classificada como em perigo critico pela IUCN, e está protegida contra a pesca nos EUA desde 1990, no Caribe desde 1993 e no Brasil desde 2002. Achar um mero durante um mergulho na Flórida durante os anos 80 e 90 era algo muito raro, mas depois que eles passaram a ser protegidos a espécie vem lentamente se recuperando. Vinte anos depois da proteção entrar em vigor é possível avistar novamente as grandes agregações de meros na Florida. As agregações acontecem no final do verão norte-americano durante os meses de agosto, setembro e outubro. Eu passei 2 dias mergulhando perto de Jupiter na Florida com a equipe do Jim Abernethy’s Scuba Charters. É interessante notar que por lá os meros tambem gostam de ficar em torno de naufrágios. Nos mergulhamos exclusivamente no naufrágio do “Zion” durante 2 dias. O que restou do navio está em um fundo de areia a cerca de 27 metros de profundidade. É difícil fazer uma estimativa de quantos meros poderiam estar em volta do naufrágio, mas calculo algo em torno de 60 a 70 peixes. Um barco de mergulho que fez a primeiro investida do dia no local chegou a estimar mais de uma centena de meros avistados durante o mergulho. A grande maioria dos meros mantinham uma distância cautelosa dos mergulhadores, dando os “estouros” característicos de tempo em tempo. Os estouros podem ser facilmente ouvidos pelos mergulhadores, e parece ser produzido pela contração de um músculo entre uma das vértebras e a bexiga natatória. Alguns poucos indivíduos não mostravam medo nenhum dos mergulhadores e deixavam-se aproximar facilmente. Como outros serranídeos as agregações ocorrem para reprodução. Estudos mostram que a atividade reprodutiva se dá a noite, com pico entre as 01:00 e 03:00 da madrugada. Nesse período os meros fazem várias investidas até profundidades menores, onde soltam o material reprodutivo na água. Os “estouros” também parecem ter uma função reprodutiva, com o grupo inteiro elevando o nível de atividade sonora durante o horário reprodutivo na madrugada. Ao contrário da crença popular brasileira, a atividade reprodutiva dos meros em território norte-americano parece diminuir durante a lua cheia.  Há varias indicações de que a localização das agregações estarem ligadas a grandes áreas de mangue, essencial para o mero no início da vida.  Um comportamento curioso que não presenciei no Brasil, talvez por causa da visibilidade ruim comum por aqui, é que muitos dos meros pareciam se reunir a uma certa distância do naufrágio, um pouco acima do fundo, no meio do nada.Convivendo com meros desde a minha adolescência, foi uma ótima oportunidade poder fazer um mergulho com um grande grupo em águas azuis.

As mesmas agregações ocorrem no Brasil durante o verão. Em um único dia há anos atrás pude contar mais de 120 indivíduos em 4 pontos diferentes. Eu pretendo fazer um post mais detalhado sobre as agregações brasileiras no futuro. Para mais informações visitem o site do projeto Meros do Brasil.

Os meros (Epinephelus itajara) gostam de habitar o interior do naufrágios durante as agregações para reprodução. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

É díficil ter uma noção precisa de escala pela foto acima mas aí estão cerca de 30 meros (Epinephelus itajara) com pelo menos 70kg cada. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

Quando se sentem ameaçados, os meros (Epinephelus itajara) emitem um forte som ou um "estouro" como é popularmente chamado pelos pescadores. Estudo indicam que esses sons também são usados durante o período reprodutivo. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

Meros (Epinephelus itajara) procurando abrigo no interior do naufrágio do "Zion". Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

Muitos dos meros (Epinephelus itajara) gostavam de formar cardumes a uma certa distância do naufrágio, longe do fundo de areia. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

Mais um grupo de meros (Epinephelus itajara) perto dos destroços do Zion. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

Alguns dos indíviduos não pareciam ter nenhum medo dos mergulhadores e se deixavam aproximar facilmente. Nikon D3x, caixa Aquatica D3, Nikon 16mm f/2.8D, Flash Inon Z-240 (2x).

 
 
 
 

3 Comments

 
  1. LFCassino disse:

    Marcelo… parabéns!!
    Emociona ver uma cena como essa, de um grupo tão grande desses peixes enormes. Tomara que um dia eles voltem a ser freqüentes no Brasil, onde diversas localidades levam seu nome (Laje dos Meros, Ilha dos Meros, Parcel dos Meros…) Me fez lembrar do que via no passado, no sul da Bahia, quando os pescadores depois de capturarem esse ser majestoso os amarravam pelo beiço em poitas, para mantê-los vivos na água até o comprador vir buscar… e assim economizavam muito gelo :(

  2. gilberto disse:

    marcelo… qro parabenizá-lo pelo trabalho q desenvolve sobre o mero. Sou da Resex marinha de cururupu no Maranhão, e aqui na nossa resex é grande a qtidade desse maravilhoso peixe, infelizmente a pesca do mesmo tbem é grande, não respeitando a lei q proibe a mesma. Esse crime é praticado por empresas de pesca de Bragança no Estado do Pará. Até 2008 o IBAMA fez umas 3 fiscalizações na área, depois disso, não houve mais nenhuma operação voltada para a pesca do mero. Para se ter uma idéia da quantidade capturada, em uma semana de pesca, uma única embarcação chega a capturar mais de 100 animais. Nossa preocupação é grande, pois, quando falamos com o pessoal do IBAMA, os mesmos nos dizem q ñ há recursos para fiscalização de pesca. Queremos ajuda

  3. Gilberto…infelizmente essa história se repete na conservação da vida selvagem no Brasil ano após ano: desrespeito as leis e falta de recursos. Fale com o pessoal do projeto Meros do Brasil, talves eles ajudem.

    Abraços

 

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